VALOR ECONÔMICO
Preço do diesel está 95,5% abaixo do importado dos EUA, segundo a StoneX
A defasagem do diesel da Petrobras se aproxima do recorde histórico, segundo cálculos de consultorias. Nesta terça-feira (8), a diferença entre o preço praticado pela estatal nas refinarias e o produto importado ficou em R$ 3,11 por litro. O valor é muito próximo da máxima que havia sido registrada em abril, quando o diesel da estatal estava R$ 3,16 mais barato que o dos Estados Unidos. A menor diferença foi em junho, de R$ 0,87 por litro.
Segundo a StoneX, o diesel da Petrobras está 95,5% mais barato que o importado, ou R$ 3,11 por litro. O preço da estatal nas refinarias, de R$ 3,26, corresponde a quase a metade do praticado no exterior, que está a cerca de R$ 6,37. Significa que a Petrobras teria que quase dobrar o valor do diesel para se equiparar ao exterior. A gasolina da Petrobras está 51,3% mais barata que a importada, ou R$ 1,31.
Thiago Vetter, analista da StoneX, afirmou que, ainda que o mercado esteja menos volátil do que no início da guerra do Oriente Médio, em 28 de fevereiro, as cotações externas seguem pressionando. “A preocupação principal do mercado neste momento é com o aumento sazonal da demanda por diesel em setembro e outubro no Brasil”, disse Vetter.
Segundo o analista, os meses combinam fatores agrícolas e industriais que ampliam a busca pelo insumo. “O plantio da safra de soja e o aquecimento da indústria, que se prepara para aumento de vendas do comércio no fim do ano, causam uma dobradinha que amplia as compras de diesel em setembro e outubro.”
Nesta terça (8), o petróleo Brent subiu 0,95%, a US$ 97,92 por barril. A alta foi impulsionada pela ameaça iraniana a embarcações que naveguem próximas a Omã. Um ataque a quatro cidades no sul da Arábia Saudita, que incendiou a estrutura petrolífera da região, pressionou ainda mais o mercado.
Vetter reforça que não há risco de falta de combustível, mas a expectativa é que o equilíbrio entre oferta e demanda fique mais apertado. Para ele, os consumidores devem perceber ainda mais aumentos nas bombas nos próximos meses.
Para Sergio Araújo, presidente da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem da Petrobras tem se ampliado mesmo com o subsídio de R$ 1,12 ainda vigente sobre o diesel. “Há uma artificialidade no mercado. Os distribuidores buscam priorizar o produto da Petrobras por ser mais barato e adiar a importação, mas ela é inevitável.”
Na visão de Araújo, não há risco de desabastecimento de diesel no mercado brasileiro, mas, em algumas regiões mais afastadas das refinarias, pode haver maior dificuldade por conta dos preços mais altos. “O que mais tem pressionado o mercado internacional é a margem de refino do diesel. Temos ainda refinarias em paradas de manutenção, o que desequilibra oferta e demanda”, disse. Pela Abicom, o diesel da Petrobras está 87,66% abaixo do importado, ou R$ 2,86.
A Petrobras disse que monitora o mercado internacional e efeitos para o Brasil. A companhia busca ter preços competitivos e evita repassar a volatilidade externa ao mercado doméstico. “Seguem em vigor as subvenções econômicas concedidas pelo governo federal diante do cenário geopolítico. Por questões concorrenciais, a Petrobras não antecipa decisões sobre manutenção ou reajuste de preços.”