Dirigir carro elétrico em São Paulo exige traçar rotas antes de sair de casa

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Fonte: Folha de S. Paulo

Ao atravessar a avenida dos Bandeirantes, na zona sul, você tem dez chances de abastecer o seu carro. De diferentes bandeiras e tamanhos, quase todos os postos de combustíveis dali funcionam 24 horas por dia. Mas, se seu veículo for elétrico, há apenas dois locais de recarga de bateria –e, ainda assim, um deles dentro de um local privado, sujeito ao horário comercial e à generosidade alheia.

A movimentada avenida é apenas um exemplo do cenário predominante na cidade. Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural Biocombustíveis), são 3.577 postos de combustível em São Paulo, quantia 130 vezes superior aos 27 pontos de recarga de carros híbridos e elétricos listados pela ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico). Já a Abravei (Associação Brasileira dos Proprietários de Veículos Elétricos Inovadores) estima 50 estações.

Usar um veículo elétrico, portanto, requer planejamento. Há bateria suficiente para chegar ao destino? Haverá por lá alguma tomada disponível ou ponto de recarga instalado? O tempo passado no destino será suficiente para quanto de recarga?

Um aliado é o aplicativo Plugshare, espécie de rede social que mapeia os pontos de recarga. Com o app no celular, a reportagem rodou por uma semana com um BMW i3 –por R$ 159.950, é o único modelo totalmente elétrico vendido oficialmente no Brasil.

Foram 40 km rodados no primeiro dia, exclusivamente em perímetro urbano. Na chegada ao cinema para a última sessão, o computador de bordo ainda calculava 130 km de autonomia –logo, não havia necessidade de recarga. Contudo, não desperdiçar oportunidades é um fundamento básico da mobilidade elétrica. Então, as três horas ali (duas de filme mais uma de jantar) foram suficientes para completar a bateria.

No segundo dia, um compromisso no bairro da Saúde quase me deixa sem bateria na volta para casa. Cheguei a sacar o cabo do recarregador do porta-malas, mas fui impedido pelo porteiro do prédio de espetá-lo na tomada. “Vai puxar muita carga, capaz de cair o disjuntor”, justificou.

O jeito foi mudar os planos e ir ao mercado. Depois de remover dois carrinhos de compra que bloqueavam a vaga intencionalmente (“se a gente não fizer isso, qualquer um para aí”, justifica uma funcionaria), deixo o BMW e o recarregador conversando e vou às compras. Preciso de pouca coisa, e logo volto para o estacionamento.

O nível da bateria pouco subiu, o que exigiu nova mudança de planos: transfiro minha labuta do dia para um coworking que tenha estação de recarga.

Após uma semana de convívio, percebo que a vida urbana é viável com um carro elétrico. Mas é preciso mudar de atitude: traçar a rota antes de sair, lutar para que a vaga de carro elétrico seja tão respeitada quanto as de idosos e deficientes e, eventualmente, moldar geograficamente sua rotina. E isso, se a vida se limitar aos bairros mais centrais.

Os debates sobre a mobilidade elétrica estão na mesa, mas caminham vagarosamente. Híbridos e elétricos receberam desconto de 50% no IPVA (Imposto sobre a Propriedade Privada de Veículos Automotores) e foram isentos do rodízio, mas ainda não foram apresentadas propostas de incentivo à compra e ao uso de automóveis eletrificados.

 

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