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26/03/2020
Petrobras espera que queda de preço da gasolina chegue aos postos
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Fonte: Valor Online

O preço da gasolina praticado pela Petrobras, nas refinarias, atingiu o seu menor patamar desde outubro de 2011, em valores nominais, depois que a estatal cortou em 15% os valores cobrados das distribuidoras, ontem. Os consumidores vivem, agora, a expectativa de ver o combustível ficar mais barato também nos postos, ainda que o histórico do mercado diga que os reajustes da petroleira não chegam integralmente à bomba.
Este ano, a petroleira já reduziu em cerca de 40% o litro da gasolina nas suas refinarias. Na bomba, os preços do derivado atingiram na semana passada as cifras mais baixas de 2020, segundo o levantamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP). A queda para o consumidor, porém, ainda é tímida em relação aos reajustes da Petrobras.
A estatal informou ontem que o preço médio do litro da gasolina, atualmente, é de R$ 1,14. A companhia fez, no ano, oito reajustes na tabela de preços do produto – sete cortes e uma alta. Desde o início do ano, a empresa cortou em cerca de R$ 0,75 os preços do litro do derivado. Na bomba, segundo a ANP, a queda acumulada do preço da gasolina para consumidor, em 2020, é de R$ 0,07 o litro, até a semana passada. Embora sejam oito semanas seguidas de queda, os números mostram que os repasses para consumidor seguem um ritmo menos intenso.
Ontem, a Petrobras destacou, em nota à imprensa, que espera que o seu movimento de reduzir preços se reflita, no curto prazo, na redução do preço final cobrado ao consumidor. Vale lembrar que o produto que sai da refinaria responde por 27% do preço final da gasolina. O restante é composto por tributos estaduais (30%) e federais (15%), pelo custo do etanol misturado (14%) e pelas margens da revenda e distribuidoras (14%).
Esta semana, a empresa preferiu reduzir apenas a gasolina, mantendo inalterados os preços do diesel. O litro do combustível é vendido pela estatal, em média, a R$ 1,65 – o preço mais baixo para o produto desde agosto de 2017, segundo a Petrobras.
Da mesma forma que a gasolina, o repasse dos reajustes do diesel também têm chegado de maneira mais branda para o consumidor. Enquanto a petroleira cortou em cerca de R$ 0,67 o preço do litro do derivado desde o início do ano, na bomba o recuo acumulado é de R$ 0,16, até a semana passada.
Apesar dos reajustes anunciados pela Petrobras ao longo das últimas semanas, em meio à desvalorização do petróleo no mercado internacional, a companhia ainda vem vendendo os derivados com preços acima da paridade de importação, segundo a Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom). A entidade, que representa os principais concorrentes da Petrobras no abastecimento ao mercado doméstico, estima que o litro da gasolina ainda é vendido pela empresa entre R$ 0,17 e R$ 0,26 acima da referência internacional, enquanto prêmio do diesel é estimado entre R$ 0,16 e R$ 0,23, dependendo do ponto de entrega.
As janelas de oportunidades para importadores privados seguem abertas, disse o presidente da Abicom, Sérgio Araújo.
A associação considera, em suas contas, as despesas para internalização dos combustíveis até o porto, e acrescenta a esses valores os custos com taxas portuárias e de armazenagem, além das despesas de frete até o ponto de entrega do derivado. Já a Petrobras leva em conta não só os preços dos combustíveis e variações do câmbio, mas também o nível de participação de mercado. A empresa também alega que o preço de paridade internacional (PPI) não é um valor absoluto, único e percebido da mesma maneira por todos os agentes e varia de agente para agente.

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