Influência da Opep diminui em cenário favorável para pré-sal

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13/01/2017
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Fonte: DCI

O poder que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) sempre teve sobre os preços da commodity está diminuindo, avaliam especialistas. Neste cenário, o pré-sal brasileiro pode ser beneficiado em meio ao plano de recuperação da Petrobras.
“A exploração em águas ultraprofundas já é viável com os preços atuais e a recente decisão da Opep de cortar produção estimula ainda mais a o pré-sal”, afirmou ao DCI o sócio líder de óleo e gás da KPMG no Brasil, Anderson Dutra.
Para o consultor estratégico de negócios entre Brasil e Oriente Médio pela Mercator Business Intelligentsia, Jorge Mortean, a decisão do cartel de reduzir a produção em mais de um milhão de barris por dia pode levar a uma recuperação das cotações. “Agora, os preços devem subir de forma gradual, beneficiando, assim, a produção brasileira”, pondera.
A partir do final de 2014, a Opep decidiu manter os altos níveis de produção para derrubar os preços e tirar do mercado produtores de alto custo. O plano tinha como principal alvo os perfuradores de xisto, nos EUA.
No entanto, outros produtores que não conseguem ser tão competitivos quanto aqueles da região do Golfo Pérsico – como é o caso do pré-sal brasileiro – também foram impactados por essa política.
Com o passar do tempo, entretanto, a estratégia encabeçada pela Arábia Saudita levou os membros que mais dependem da commodity a um verdadeiro colapso. A Venezuela, por exemplo, foi a mais afetada. Mas o próprio reino saudita precisou cortar drasticamente os fortes subsídios do governo.
Países de fora do cartel também foram sensivelmente impactados pela estratégia, como a Rússia e os EUA.
Por esse motivo, a decisão de corte dos níveis de produção pelo cartel já vinha sendo ventilada pelos ministros do petróleo de países membros desde o final de 2015, a pedido principalmente da Venezuela.
Na avaliação de Mortean, em princípio a decisão de reduzir os patamares de produção pela Opep – o que não ocorria desde 2008 – não foi bem recebida. “O Ocidente nunca gostou dos preços em alta porque isso remete aos choques do petróleo na década de 1970, ainda que em escala infinitamente menor.”
Ele acrescenta, porém, que desde o final da guerra fria a Opep vem perdendo força. “Houve um aumento da conscientização de que é necessário substituir os combustíveis fósseis, especialmente devido à questão ambiental”, pondera. Além disso, explica Mortean, o Ocidente quer depender menos do petróleo do Oriente Médio.
“Esse movimento diminui muito a importância dos países membros da Opep”, acredita.
No entanto, o sócio da KPMG se mostra mais cauteloso em relação ao poder da Opep no mercado global. “É preciso aguardar o primeiro semestre deste ano para saber os resultados da estratégia do cartel”, avalia.
Dutra salienta, contudo, que fazia muitos anos que a organização não se mobilizava no sentido de cortar níveis de produção para elevar os preços, já que os países membros são resistentes em perder market share. “Certamente trata-se de um movimento disruptivo”, analisa.
Patamar de preços
De acordo com o executivo da KPMG, a média de preços do petróleo em 2016 ficou em torno de US$ 45 a US$ 50 o barril. Para este ano, a expectativa é que o preço médio alcance a casa dos US$ 60 por barril.
“Esse patamar já viabiliza projetos da Petrobras que foram colocados de lado recentemente”, destaca Dutra.
Ele acrescenta que a decisão da Opep estimula a retomada inclusive de projetos de xisto. “Como se trata de um tipo de extração de alto custo, as empresas que tiveram ganho de escala superado devem retomar a produção”, comenta.
Dutra salienta que, historicamente, a América Latina e a África sempre foram destinos de grandes investimentos do setor petrolífero. “Mas nos últimos dois anos houve uma paralisação generalizada dos aportes nestas regiões.”
Com o corte de produção previsto pela Opep, Dutra acredita que, para 2017, as chances de novas fusões e aquisições na indústria petrolífera, globalmente, podem crescer.
“Já tivemos alguns movimentos pontuais no Brasil, que podem ser ainda maiores no ano que vem com a previsão de novos leilões”, explica Dutra.
Licitações
O executivo da KPMG acredita que os leilões previstos para o setor no País, em 2017, devem conquistar interessados. “O Brasil deve atrair os olhares do mundo todo”, considera.
Na visão do consultor da Mercator, o Brasil deu um importante passo ao aprovar a nova lei do pré-sal. “Agora, estrangeiras tendem a participar mais dos leilões em território nacional”, analisa Mortean.
O único certame promovido na camada pré-sal, o de Libra, aconteceu em 2013 e angariou apenas uma proposta. O consórcio é formado por duas empresas chinesas, além da francesa Total e da holandesa Shell.
“Não podemos considerar o leilão como um insucesso porque tivemos grandes empresas envolvidas”, avalia Dutra.
No entanto, o analista destaca que um verdadeiro “sucesso” para leilões no Brasil seria a participação de outras majors da indústria global, como a Exxon Mobil, por exemplo.
“Pode ser que a gigante norte-americana não tenha participado ainda por falta de know-how no País”, arrisca.
Enquanto os leilões na camada pré-sal não saem do papel, o setor petrolífero terá que operar em meio à forte oscilação das cotações do barril.
Dutra acredita que, para 2017, os preços do petróleo devem ficar mais estáveis. “Estou otimista para este ano, quando o mercado global deve começar a caminhar para uma retomada mais consistente”, analisa.
Juliana Estigarríbia

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