Leilão de biodiesel frustra a indústria

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13/02/2017
Indústria de biodiesel prevê recuperação em 2017 após recuo em 2016
13/02/2017
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Fonte: Valor Online

As perspectivas otimistas da indústria brasileira de biodiesel em relação à demanda pelo produto no país em 2017 podem ser frustradas antes mesmo do fim deste primeiro trimestre. Na sexta-feira, foi finalizado o primeiro leilão do biocombustível no ano, com entregas previstas para março e abril, quando a mistura obrigatória no diesel fóssil já terá sido elevada de 7% para 8%. LEIA MAIS Perdas somam 6,5 bilhões de metros cúbicos Câmara aprova aumento da mistura de biodiesel no diesel fóssil Leilão pode mudar para ampliar uso de gás natural Foram comercializados 620,3 mil metros cúbicos, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A projeção mais pessimista, afirma Julio Minelli, diretor superintendente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), apontava para vendas ao redor de 700 mil metros cúbicos. “Pelo que a gente está vendo, as distribuidoras estão prevendo uma retração maior da demanda”, diz ele. Foi o primeiro leilão da mistura de B8, e os volumes adquiridos foram menores que os observados em leilões para atender à mistura de 7%, que giravam em torno de 680 mil metros cúbicos. Em 2016, a produção brasileira de biodiesel recuou 3,5%, para 3,8 milhões de metros cúbicos. A queda na venda de diesel fóssil foi ainda mais expressiva: chegou a 12,5%, para 50 bilhões de litros. O aumento da mistura para 8% estava prevista para entrar em vigor em meados do mês que vem. Contudo, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) antecipou o aumento para 1º de março, com o intuito de evitar a coexistência de dois diferentes percentuais de mistura no mesmo mês. Essa antecipação, de acordo com o gerente de economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Furlan Amaral, deveria provocar um aumento de cerca de 12,5% na demanda no leilão que terminou na sexta-feira. Mas o volume decepcionou o segmento, já que ficou abaixo do total negociado em leilão realizado no mesmo período do ano passado (639 mil metros cúbicos). A baixa procura já ameaça as projeções para 2017. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) prevê alta de 18,4% da produção neste ano, para 4,5 milhões de metros cúbicos e um aumento de vendas de diesel fóssil de cerca de 13%. O superintendente da Aprobio adiantou que o segmento já está discutindo com o Ministério de Minas e Energia a antecipação, para este ano, do incremento da mistura de biodiesel no diesel para 9%. A medida está prevista para março de 2018.

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