Meirelles: se reforma não sair em dois anos, haverá aumento de impostos

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Fonte: O Globo

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou ontem, em entrevista à rádio Bandeirantes de Porto Alegre, que, se a reforma da Previdência não for votada num prazo de dois a três anos, será necessário aumentar impostos. Segundo ele, esse é o prazo no qual o déficit do sistema previdenciário, que no ano passado superou a cifra de R$ 182 bilhões, começará a subir de forma expressiva e comprometer uma parte ainda maior do Orçamento. Ele frisou, no entanto, que não há previsão de elevação de imposto para este ano.
O ministro afirmou ainda que há “uma possibilidade grande” de aprovação da reoneração da folha de pagamentos pelo Congresso. A votação na Câmara está prevista para esta semana. O projeto é um dos que foram eleitos como prioridade pelo governo federal.
Segundo Meirelles, é natural que empresários questionem o aumento, mas ressaltou que a medida não teve os efeitos positivos esperados e, por isso, será revertida.
— Seria estranho que empresários dissessem “que bom que vai aumentar imposto”. É absolutamente normal e esperável que existam essas observações. O processo de desoneração da folha que foi feito antes visava um aumento da produção e do emprego. Isso não ocorreu, não se justificou essa isenção que passou a ser dada a esses setores. Estamos restabelecendo a normalidade nesse segmento — disse o ministro da Fazenda.
REBAIXAMENTO ERA ESPERADO
Meirelles ainda minimizou a revisão da nota de crédito brasileira pela agência de classificação de risco Fitch, na última sexta-feira. Segundo ele, esse movimento já era previsto pelo mercado, por conta de um movimento similar de outra agência, a Standard & Poor’s, após o adiamento da reforma da Previdência. Ele ressaltou que o mercado já havia precificado a revisão e que, no próprio dia, a Bolsa brasileira continuou subindo.
Ele reafirmou que não houve, até o momento, pedido de aporte das Forças Armadas para a intervenção na segurança do Rio de Janeiro. E disse que, até o momento, cabe ao Rio pagar por suas forças policiais, uma vez que a intervenção só utilizará, inicialmente, a polícia local.

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