Produção de biodiesel pode chegar a 10 bilhões de litros até 2023
31/10/2018
Raízen deve dobrar produção de etanol 2G em 2019, destaca Rubens Ometto
31/10/2018
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Fonte: UDOP

O presidente da Cosan, Rubens Ometto Silveira Mello, defendeu, na última terça-feira (30), em painel no segundo dia da Conferência DATAGRO, que a eletrificação da frota automotiva com biocombustíveis, especialmente o etanol, é a melhor opção, considerando eficiência energética, acesso ao consumidor [por preço e pontos de distribuição] e controle de emissões de gases poluentes.

De acordo com Ometto, somente sobreviverão daqui para frente fontes, que forem primordialmente eficientes do ponto de vista energético e sustentáveis em todas as perspectivas: ambiental, econômico e social.

Confira o discurso de Rubens Ometto Silveira Mello na íntegra:

" Desde que o Homem criou a roda, mobilidade tem sido a mola central do desenvolvimento de nossa civilização, para o transporte de cargas e pessoas. A tecnologia e a energia empregadas tem evoluído de acordo com a sua disponibilidade relativa, sua economicidade e, mais recentemente, seus impactos ambientais. Esta tem sido a história por trás da evolução do motor a vapor, para o motor de combustão interna, e agora a novas, mais modernas e eficientes tecnologias que permitem um melhor aproveitamento da energia contida nos combustíveis.

Progresso, riqueza, bem-estar e desenvolvimento econômico e social foram gerados nesta jornada. Grandes empresas foram criadas, como a emblemática Standard Oil, a Exxon, a BP, a Shell, e a própria COSAN, da qual muito me orgulho, aqui no Brasil que cresceu de 3 para 70 milhões de toneladas de cana de capacidade de esmagamento por ano. Que hoje, integrada com a Shell do Brasil através da Raízen, é uma empresa diversificada, com mais de 6 mil postos de revenda no Brasil e no exterior. Que continuadamente se reinventa, e persegue de forma incessante a inovação. Que é pioneira em etanol de segunda geração, e agora está sendo também pioneira na produção em larga escala de biogás e biometano a partir de resíduos da cana. Geramos combustíveis líquidos e bioeletricidade, e muito em breve biogás e biometano, de forma absolutamente competitiva e sustentável.

Nossas atividades se diversificaram além do universo agroindustrial, para o setor de distribuição de gás, de logística integrada no interior e nos portos, com terminais de armazenagem e de integração modal espalhados num País de dimensão continental.

Por esse motivo, estamos vigilantes e constantemente acompanhando e planejando nossos próximos passos, correndo atrás, num mundo em constante transformação, no campo da produção e distribuição de energia, e do seu uso para a mobilidade de pessoas e cargas.

Esta tem sido a motivação da minha vida, e do desenvolvimento das empresas do nosso grupo econômico.

Tenho acompanhado com interesse o desenvolvimento e o progresso de novas tecnologias ligadas à mobilidade. Fiz uma imersão pessoal, junto com nossa equipe, na SINGULARITY UNIVERSITY, liderada pelo Dr. Peter Diamandis. E lá, pude ver como tem sido promovida e divulgada, com muito empenho, a opção de mobilidade a partir de carros a bateria.

Tenho construído com essas atividades minha própria avaliação sobre o futuro da mobilidade.

Em primeiro lugar, acredito que só irão sobreviver as tecnologias e as fontes de energia que forem eficientes, e que forem econômica, social e ambientalmente sustentáveis.

Mobilidade eficiente é aquela que aproveita bem a energia contida no combustível que utiliza. É por isso que tanta crítica se faz ao motor de combustão interna, que no ciclo Otto aproveita somente 28% da energia do combustível, e no ciclo diesel 32%. Hoje se reconhece que o motor de combustão interna gera um desperdício enorme de energia, que não se justifica mais. É por isso que se enxerga a eletrificação, parcial ou total, como um avanço, pois é uma tecnologia que tem o dobro da eficiência termodinâmica do motor de combustão interna - isto é, aproveita muito melhor o poder calorifico contido na fonte de energia.

Só que, para ser ambientalmente limpa, a energia precisa ser produzida de forma sustentável e, se possível, com contribuição e apelo social.

A questão é que não há um só tipo de eletrificação. Existem pelo menos três tipos: a eletrificação com baterias, a eletrificação com hidrogênio, e a eletrificação com combustíveis líquidos.

A eletrificação com bateria é o carro elétrico comum que conhecemos. Pode ser eficiente, mas não é necessariamente limpo do ponto de vista ambiental. Se a energia não for de fonte limpa e renovável, não contribui para diminuir o aquecimento global. Há ainda que levar em conta a disponibilidade dos metais usados nas baterias, a sua vida útil limitada, a falta de infraestrutura para a recarga, e o seu descarte. Tudo isso é muito complicado e caro, pois a bateria tem, para piorar, baixa densidade energética. É preciso muita bateria para substituir a energia de um tanque de combustível liquido, o que limita o alcance do veículo e a sua capacidade de carga, o que, via de regra, torna o custo do veículo inacessível ao consumidor. Uma das maiores questões na tecnologia de mobilidade é a sua acessibilidade econômica (affordability) para o consumidor.

A eletrificação com hidrogênio é cara e perigosa. Produzir e armazenar hidrogênio é dispendioso e arriscado. Sua armazenagem é realizada em tanques de alta pressão com até 3 mil atmosferas, fabricados com Titânio. Um único bico de distribuição custa entre 800 mil e 1,3 milhão de dólares.

A outra eletrificação possível é aquela com combustíveis líquidos, através dos veículos híbridos, os e-elétricos, e os movidos com células a combustível. São limpos quando utilizam combustíveis com baixa pegada de carbono, como os biocombustíveis. O etanol e os biocombustiveis, sozinhos ou em mistura com a gasolina ou outros combustíveis tradicionais, são opções muito apropriadas para isso.

Como maior produtor de etanol do Brasil, maior processador de cana-de-açúcar do mundo, e por termos uma rede já instalada de distribuição de etanol, e distribuirmos diesel misturado com biodiesel, e em breve biometano junto com o GNV, é obvio que estamos atentos a isso.

Não é por outro motivo que estamos acompanhando de perto estes desenvolvimentos. Entendemos que estamos no centro da opção tecnológica de mobilidade, mais moderna e sustentável para o mundo.

Acredito que todas as tecnologias irão conviver no futuro. Haverá um nicho de mercado para os carros elétricos a bateria. Projeções indicam que até 2030, cerca de 10% a 15% dos veículos leves vendidos serão veículos convencionais a bateria. Mas de nada adianta desenvolver carros a bateria se a eletricidade não for limpa.

A Alemanha, por exemplo, resolveu desativar suas usinas nucleares, e está agora gerando energia térmica a partir do carvão. Criar uma frota de carros elétricos a bateria usando este tipo de energia pode ser uma política para a Prefeitura de determinadas cidades, mas só serve quando é considerada a visão absolutamente local -- e não pode ser a política de um país.

Este é o dilema em que se encontram países que tem matrizes elétricas de fonte altamente fóssil, como a India, China, e Estados Unidos, e muitos outros.

Por isso é que entendo que o RenovaBio, criado aqui no Brasil durante o Governo do Presidente Temer, é moderno, inteligente e alinhado com uma visão sustentável de mobilidade. Reforça o compromisso do Brasil com o cumprimento do Acordo do Clima, sem criar um subsidio e sem criar um imposto sobre o carbono. Propõe pela primeira vez na história do setor de biocombustíveis um critério de meritocracia, onde vai se valorizar quem for mais eficiente do ponto de vista energético e ambiental, através de um programa de certificação voluntaria, transparente e alinhado com a legislação brasileira de proteção de recursos naturais.

O RenovaBio, aliado ao Rota 2030 que valoriza os veículos mais eficientes e que geram menores emissões, coloca o Brasil na vanguarda mundial do desenvolvimento de tecnologias mais eficientes e limpas para o meio ambiente.

Nosso caminho é o da otimização dos atuais veículos equipados com motores de combustão interna usando combustíveis de baixa pegada de carbono, puros ou associados a combustíveis tradicionais. Em paralelo, devemos perseguir a criação de uma frota de veículos híbridos flex, e em breve, de veículos equipados com células a combustível, capazes de usar etanol e outros biocombustíveis.

Existe no mundo um senso de urgência em relação a medidas práticas e efetivas para que se atinja o objetivo de limitar o aquecimento global a no máximo 2 graus Celsius, até 2050. Estamos fazendo a nossa parte - como País, e nós como empresa, através da COSAN e da RAÍZEN.

É por esse motivo que temos apoiado o RenovaBio e o Rota 2030, como estratégias fundamentais para o Brasil, e continuamos tomando decisões de investimento olhando para esse futuro.

Junto com nossos acionistas e parceiros, estamos fazendo todo o esforço para usar da melhor forma, mais eficiente, mais econômica possível, toda a energia desta máquina extraordinária que é a cana-de-açúcar - a máquina mais eficiente de transformação de energia solar em hidrogênio -- hidrogênio capturado na forma de um combustível liquido capaz de ser produzido, armazenado e distribuído de forma segura, usando a infraestrutura existente. Uma fonte de energia de alta densidade, limpa e segura.

Precisamos só comunicar melhor essa mensagem. Na verdade, temos sido péssimos em comunicação, e temos perdido muito valor por isso. Valor como produto e como valor dos ativos de nossas empresas. Eles na verdade valem muito mais do que pensamos.

Temos a solução em nossas mãos.

A diversificação do setor em que atuamos é a chave.

Só precisamos que os governos não atrapalhem. E temos tido uma experiência péssima neste sentido. Sofremos a intervenção nos preços na década de 80, e mais recentemente no governo Dilma, e sofremos no passado com o monopólio de exportações.

Sofremos com os nossos governos e os dos outros. Lutamos na OMC para derrubar os subsídios às exportações de açúcar da União Europeia. Vamos continuar lutando contra subsídios da India, do Paquistão, da Tailândia, e a restrições ao livre comercio em quase todo o mundo, na China, nos Estados Unidos, na União Europeia, e em muitos outros países afora.

O açúcar continua sendo o único produto ainda não integrado no Mercosul, o que é uma vergonha para o bloco ao qual o Brasil pertence, e algo que não encontra justificativa nenhuma além do desejo mesquinho de proteger a indústria local.

Sou a favor do mercado e da competição livre. Só assim vamos gerar progresso, e riqueza duradoura.

Estamos entrando em mais uma etapa da nossa vida republicana. Acabamos de sair de eleições gerais de segundo turno, que trazem renovadas esperanças a todo o nosso povo, e aos empresários de nosso País.

Continuo otimista com o Brasil, e com o futuro da nossa atividade.

O futuro da mobilidade caminha a nosso favor.

Torço para que o novo Governo que se avizinha, mantenha o compromisso de implementação plena do RenovaBio e do Rota 2030, na direção que almejamos. Com realismo e praticidade, sem ideologia, e com uma regulamentação que seja coerente com a legislação em vigor, que ofereça segurança jurídica e estabilidade para induzir novos investimentos em aumento de eficiência, com uma regulamentação que seja inclusiva, e não excludente.

Pois o que queremos, é obviamente oferecer energia de fonte sustentável e limpa, mas também, cada vez mais, de baixo custo e baixo preço para os nossos consumidores, pois eles são o nosso maior patrimônio.

A integração crescente dos biocombustíveis com os combustíveis fosseis, vai trazer longevidade para o aproveitamento de nossas reservas extraordinárias de petróleo e gás natural. O Brasil tem reservas extraordinárias, e até 2026 deve passar de 9º. para 4º. maior produtor de petróleo do mundo, à medida que a extração de petróleo passe dos atuais 2,6 para 5,5 milhões de barris por dia.

A COSAN e a RAIZEN vão continuar acreditando no futuro do etanol e dos biocombustíveis como fontes de energia estratégicas para o Brasil e o mundo, complementares e alinhados com os combustíveis tradicionais.

Podem contar que este vai continuar sendo o meu compromisso pessoal, e o de todas nossas empresas. Vamos continuar caminhando juntos para o bem do nosso País e da nossa sociedade. Este é, e continuará sendo o meu compromisso.

Muito obrigado"

Fonte: Datagro

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