Pequenos e médios podem se beneficiar na 14ª Rodada da ANP

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Fonte: DCI

A próxima rodada de licitações de petróleo e gás, prevista para setembro, pode ser estratégica para pequenas e médias empresas operarem em campos terrestres já maduros. Para especialistas, trata-se de uma oportunidade de desenvolver a indústria local para o futuro.
Nos campos maduros onshore, a atividade petrolífera já é uma realidade e muitas vezes os poços estão próximos de exaurir. Por essa razão, estes ativos não são compatíveis com a estrutura de grandes empresas, como a Petrobras, por exemplo.
Neste sentido, especialistas acreditam que a 14ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) pode favorecer pequenas e médias empresas. “A expectativa é positiva para estes portes de operadoras”, avalia o sócio líder de óleo e gás da KPMG, Anderson Dutra.
Para a CEO da OGE Óleo Gás Energia, Claudia Rabello, as perspectivas são muito boas em bacias maduras terrestres. “A ideia é justamente que essas áreas sirvam de laboratório para que pequenas e médias empresas se desenvolvam.”
Claudia, que já foi superintendente da ANP, explica que os campos maduros terrestres são apenas o primeiro passo para estas empresas se aprimorarem e crescerem no médio e longo prazo. “Inicialmente, pequenos e médios operam no segmento onshore, depois podem passar para águas rasas e posteriormente, se forem bem sucedidas e estiverem capitalizadas, podem passar para águas profundas”, complementa.
E capital é geralmente o que determina a entrada ou não de pequenos e médios em licitações do governo. Na avaliação do sócio da KPMG, nenhuma empresa deve entrar sozinha na 14ª rodada. “Principalmente no atual cenário, ninguém quer assumir o risco sozinho. Parcerias mitigam riscos”, lembra.
Ele acrescenta que os principais parceiros dessas petroleiras menores devem ser os fundos de private equity. “Com o crédito ainda limitado no País, principalmente pelo BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], as parcerias com estes fundos devem acontecer na 14ª rodada da ANP”, estima Dutra.
De 2017 a 2021, os investimentos anunciados para a indústria petrolífera no Brasil somam aproximadamente US$ 95 bilhões. “Deste total, cerca de 10% devem vir de pequenas empresas”, estima o executivo.
O consultor de petróleo e gás Juarez Fontana observa que a operação em campos maduros terrestres abre espaço para que empresas genuinamente brasileiras possam, no futuro, seguir para o segmento offshore. “Nos campos maduros onshore a estrutura já está amortizada, portanto o capital necessário é menor. Em licitações, as empresas só precisam de competência técnica e acesso à concessão.”
Fontana salienta que as bacias maduras terrestres já são áreas com conhecimento geológico e algumas já foram inclusive devolvidas pela Petrobras – os chamados campos marginais. “Campos maduros terrestres acabam sendo caros até para uma major terceirizar a produção”, analisa.
Neste cenário, pequenos e médios são o perfil ideal para operar esse tipo de campo. “As bacias maduras terrestres são um celeiro importante para que estas empresas possam se tornar maiores, porque vão se capitalizando ao mesmo tempo em que ganham know-how. A importância de incentivar esse movimento é muito mais estratégica do que econômica”, acrescenta.
Claudia lembra que em outros países do mundo, onde a indústria petrolífera é forte, as bacias maduras terrestres são importantes. “Nos Estados Unidos e Canadá, por exemplo, as receitas provenientes dessa exploração são bastante significativas.”
Dutra destaca que o índice de recuperabilidade de poços é baixo no País. “O Brasil praticamente não recupera poços próximos da exaustão. Ou a concessionária vende ou abandona a operação”, conta. “Mas agora com as novas tecnologias disponíveis no mercado e os incentivos à exploração em campos maduros terrestres por meio das rodadas de licitações da ANP, a expectativa é que a recuperação de poços aumente.”
Claudia acrescenta que o governo vem incentivando, há algum tempo, pequenas e médias empresas a entrarem no circuito da indústria petrolífera. “Com tantas oportunidades, as majors não se interessam, por exemplo, por bacias maduras”, pondera.
Pré-edital
A ANP informa, em pré-edital, que a 14ª Rodada de Licitações “inclui áreas em bacias de elevado potencial, bacias de novas fronteiras exploratórias e bacias maduras que se apresentam como oportunidades para grandes, médias e pequenas empresas.” O edital acrescenta ainda que a oferta de blocos tem o objetivo de ampliar as reservas e a produção brasileira de petróleo e gás natural, elevando o conhecimento das bacias sedimentares, descentralizando o investimento exploratório no País e desenvolvendo a pequena indústria petrolífera.
“Toda a dinâmica de prospecção no setor sempre dependeu da Petrobras, cujo grande foco era a região Sudeste, especialmente o segmento offshore”, pondera Fontana.
A 14ª rodada da ANP deve licitar áreas para exploração e produção de petróleo e gás natural em 287 blocos, localizados em 29 setores de 9 bacias sedimentares brasileiras: Parnaíba, Potiguar (terra), Recôncavo, Sergipe-Alagoas (terra e mar), Espírito Santo (terra e mar), Paraná, Santos, Pelotas e Campos.
“A expectativa de licitação na bacia de Sergipe-Alagoas, por exemplo, é muito importante para diversificar as regiões produtoras”, pontua Fontana.
Para Claudia, a 14ª rodada da ANP deve ter mais atratividade que a anterior. “As mudanças regulatórias corrigem as falhas do novo marco do setor e garantem mais segurança ao investidor”, avalia a executiva da OGE.
Na próxima rodada de licitações da ANP, além de bacias maduras, serão ofertadas áreas em bacias de novas fronteiras – onde há pouca atividade e as descobertas ainda são incipientes – e com modelo exploratório de “elevado potencial”, cujo nome já sugere sua atratividade.
Claudia explica que, dentre estas opções, o risco é maior especialmente em novas fronteiras. “O investimento nessas áreas pode não render frutos. Por esse motivo, o perfil de empresa para estes campos é mais o de grandes empresas.”
Ambiente político
O sócio da KPMG afirma que a flexibilização das regras de conteúdo local foi positiva para o setor e deve elevar em cerca de 30% a produção do setor no País até 2025. “As mudanças regulatórias trazem mais segurança jurídica e, consequentemente, mais investimentos”, diz Dutra.
Segundo ele, a cadeia de óleo e gás precisa ser impulsionada no País. “O nosso parque industrial não possui tecnologias disruptivas, mas é um dos maiores do mundo. É importante que os leilões sejam incentivados.”
Recentemente, o governo divulgou um calendário que prevê licitações de petróleo e gás até 2019, inclusive na camada pré-sal, o que foi bem recebido por agentes do setor. “A indústria petrolífera no Brasil está trabalhando com mais previsibilidade”, acredita Dutra.
Ele alerta apenas para a questão política. “O único risco que pode atrapalhar a evolução do setor é a entrada de um governo que não esteja alinhado com a agenda de reformas, tão necessárias para atrair novos investimentos”, avalia.

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