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Uma equipe da Petrobras está realizando nesta quarta-feira (21) um levantamento na refinaria cladestina, que foi fechada em Boituva (SP) nesta segunda-feira (19), para saber qual é a quantidade de petróleo e gasolina encontrados no local. O objetivo é programar o transporte das substâncias para uma refinaria da estatal em Paulínia (SP), onde os combustíveis passarão por avaliações. Segundo a Polícia Civil, investigações apontam que o petróleo achado no local foi desviado dos dutos da Petrobras. Ninguém foi preso até o momento.
De acordo com o boletim de ocorrência, nos dois caminhões encontrados dentro da refinaria estavam 240 mil litros de petróleo e 160 mil litros de gasolina prontos para venda. Mas para ter a quantidade exata das substâncias, cerca de 20 profissionais da Petrobras fazem a soma dos produtos. Com o resultado, a estatal saberá com que tipo de caminhão e em quantos dias fará o transporte até Paulínia.
Em Paulínia, as substâncias passarão por análise de qualidade para comprovar se houve algum tipo de alteração. Se comprovado a alteração, o combustível passará por um reprocessamento e será enviado a postos de combustíveis, afirmaram à TV TEM funcionários da estatal que trabalham no local.
Investigação
Em entrevista nesta quarta-feira, o delegado responsável pelo caso, Emerson Jesus Martins, explicou a forma de operação do grupo: “Apurou-se até o momento que os motoristas saíam daqui com a gasolina, entregavam em determinado ponto o caminhão, que era levado para ser descarregado em um ponto que o motorista não acompanhava e depois era devolvido. O objetivo dessa ação, desse ‘modus operandi’, era fazer com que nem mesmo os motoristas soubessem onde era descarregado.”
Os postos que recebiam a gasolina refinada em Boituva ainda são desconhecidos, diz ele. O caso foi descoberto após investigação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em conjunto com o Ministério Público do Trabalho (MPT).
Ouvidos e liberados
De acordo com a polícia, 11 pessoas, entre elas o dono e gerente da refinaria, foram ouvidas e liberadas. Para que houvesse flagrante, segundo o delegado, era necessária a comprovação de que o material era petróleo da Petrobras.
“Nesse primeiro momento que a ocorrência foi apresentada não tínhamos esse laudo em mãos. Foram ouvidos, qualificados e, só depois, do encerramento da ocorrência, os laudos chegaram. Não foi uma situação flagrancial, mas temos elementos para fazermos indiciamentos e pedir outras provas e que vão nos levar a outros delitos”, diz Martins.
A ocorrência foi registrada na delegacia da Polícia Civil como receptação, crime contra a ordem pública, crime contra a economia popular e causar dano direto ou indireto às unidades de conservação. A Polícia Federal também investigará o caso.
Em março deste ano a fábrica de fachada sofreu um incêndio que demorou 11 horas para ser apagado. Um funcionário morreu ao ter quase 100% do corpo queimado, segundo os bombeiros. Vinte viaturas das cidades de Sorocaba (SP), São Paulo (SP), Osasco (SP), Barueri (SP), Itapetininga (SP), Tatuí (SP), Boituva e Porto Feliz (SP) foram ao local e mais de 50 bombeiros trabalharam para controlar as chamas.
Os moradores do Centro, que fica a mais de dois quilômetros da empresa, disseram que ouviram as explosões. No Bairro Água Branca, onde a empresa fica, algumas pessoas foram orientadas pelos bombeiros a deixarem as casas por causa da fumaça tóxica.
Durante o incêndio, a SP-129 precisou ser interditada por algumas horas, pois houve vazamento de produto químico. Segundo os bombeiros, houve quatro explosões ao todo.

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