Petrobras não praticará preços abaixo da paridade internacional, diz Parente

Relação etanol/gasolina é a mais baixa para março desde 2015
05/04/2017
Petróleo se recupera e sobe com intensificação das atividades de refino nos EUA
06/04/2017
Mostrar tudo

Fonte: IstoÉ Dinheiro

A Petrobras não praticará preços abaixo da paridade internacional, disse nesta terça-feira, 4, o presidente da estatal, Pedro Parente, em apresentação na abertura Investment Forum, promovido pelo Bradesco, em São Paulo. “Os preços têm que refletir a flutuação do custo principal e não era assim na Petrobras. Agora, temos uma política de preços. Não é uma fórmula, mas uma política de preços”, disse o executivo.
Parente disse que esse política leva em conta ainda a margem da empresa, que está relacionada com a receita da Petrobras mas também o market share. “Vamos continuar fazendo isso, que é fundamental para a empresa”, frisou.

Conteúdo local
A Petrobras poderá ter uma solução para as duas plataformas que estão em contexto de pedido de waiver em relação ao conteúdo local com a formalização das mudanças pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), disse o presidente da petroleira. As formalizações deverão ocorrer após o período de audiência pública. Uma das plataformas da empresa nesse contexto é Libra.
Parente disse que a Petrobras precisa enfrentar as contingências de mercado, para maximizar suas margens, mas de forma a não ter um prejuízo de seu market share. “Temos muita capacidade de refino e com muita importação aumenta o custo de nosso refino”, comentou.

Metas
Segundo Parente, que em junho completa um ano na presidência da empresa, uma das diferenças na atual gestão da Petrobras é que hoje a empresa faz promessas de metas e as entrega. “Não era um hábito da empresa anteriormente cumprir as metas e esse é um trabalho importante para recuperar a credibilidade”, afirmou.
Parente disse que a companhia vem trabalhando com seu processo de desinvestimento e destacou que esse movimento não tem exatamente como foco trazer caixa. O objetivo é a limpeza de portfólio, com a venda de ativos de que não adicionam valor, melhorar a qualidade da carteira e ainda trazer parceiros que ajudem a companhia a reduzir sua necessidade de investimentos e ainda melhorar a próprio governança da companhia.
“Parceiros trazem para a Petrobras uma série de vantagens. Mais recentemente estamos realizando um tipo, que é a com parceiro estratégico. A diferença é que ela não adiciona valor apenas aos ativos envolvidos, mas para outros ativos da companhia”, disse Parente. Como exemplo, o executivo destacou a parceria firmada com a francesa Total, na área de concessão de Iara, no bloco BM-S-11.
Biênio
A despeito do período em que o Tribunal de Contas da União (TCU) suspendeu a venda de alguns ativos da Petrobras, a meta de desinvestimento da companhia para o biênio de 2017 e 2018 está mantida, disse Parente. A cifra é de US$ 21 bilhões.
Uma das estratégias será buscar parcerias na área de refino, o que ajudará a companhia a avançar nesse segmento, segundo Parente. “Podemos utilizar know how de exploração e produção”, afirmou.
Parente frisou que o Tribunal de Contas da União aprovou uma nova sistemática para a venda de ativos da Petrobras e que os processos já foram reiniciados. “Muita coisa se aproveita, temos uma curva de aprendizado”, disse. O executivo lembrou, por exemplo, do processo de venda da BR Distribuidora, que já atraiu ano passado muitos interessados.
Horizonte
O presidente da Petrobras disse que a gestão da companhia não tem como horizonte 2018, mas sim o médio e longo prazos. Segundo ele, há muitas condicionais no cenário para ele poder dizer se permanecerá na empresa após 2018, ano de eleição presidencial no Brasil.
“Mantidas a condições para se fazer a gestão, na qual o time que está lá hoje imagina que é a mais correta e se convidado a permanecer, irei considerar”, afirmou. No mês passado, a Petrobras renovou o mandato de Parente até março de 2019.
Alavancagem
A Petrobras pode entregar um indicador de alavancagem menor que 2,5 vezes a relação da dívida líquida sobre Ebitda, meta da petrolífera, ao final de 2018, de acordo com o presidente da estatal, Pedro Parente. “Mas essa não é nossa métrica, nosso compromisso. Não vamos relaxar no nosso plano. A empresa está se preparando muito e está executando o seu plano da maneira mais disciplinada possível”, afirmou.
De acordo com Parente, a meta de 2,5 vezes será alcançada no máximo ao final do ano de 2018. O indicador fechou o ano passado em 3,5 vezes ante 5,3 vezes em 2015. Dentre os motivos para a estatal baixar este número, conforme o presidente da estatal, estão as receitas, com preços competitivos que vão seguir em paridade com os padrões internacionais e ainda eficiência nos gastos e investimentos.
Parente destacou ainda que a dívida da Petrobras sintetiza o legado que a empresa recebeu, embora esse não seja “de longe” o único problema da companhia. “Há questões reputacionais, internas. Nossos colaboradores foram bastante machucados com tudo o que aconteceu”, disse ele.
Capex
O capex (investimento) da Petrobras é suficiente para entregar a meta de produção de 2,77 milhões de barris por dia em 2021, segundo Parente. Para este ano, a Petrobras tem como meta investir mais de US$ 19 bilhões, sendo que esses recursos consideram uma fatia do ano passado que não foi realizada.
“Esse número (capex) é suficiente e decorre do nosso planejamento estratégico. Tivemos aumento de produtividade bastante relevante e redução do tempo que precisamos para completar um poço”, disse ele.
Parente destacou que a redução de tempo é importante e “custa bastante”, considerando o trabalho de perfurar um poço, fazer toda a preparação e tubulação. Lembrou ainda que a Petrobras tem uma produtividade muito maior no pré-sal do que o antecipado. É, conforme o executivo, cerca de 30% maior.
“Vamos precisar não de oito poços, mas de seis poços. Representa uma redução importante do que precisamos gastar de capex. Sabemos exatamente os campos, poços e equipamentos que teremos até 2021. Isso está absolutamente mapeado”, disse o presidente da Petrobras.
Parente destacou que os investimentos da companhia dependem de outros fatores externos, como, por exemplo, as licenças, e que a empresa fez no ano passado um trabalho importante de redução de riscos. “Tínhamos riscos importantes ligados a problemas com fornecedores. No ano passado, fizemos um trabalho de redução riscos e hoje temos muito mais clareza das plataformas mais fundamentais e que estarão prontas a tempo. Num passado recente, tivemos muito atraso na entrega”, concluiu.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *