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Fonte: Valor Online

O recente acerto de contas da Petrobras com a Receita Federal e com a Justiça americana reforçou o potencial de valorização das ações da companhia. Mesmo com a queda nesses últimos dias, detonada pela correção das bolsas americanas, os papéis sustentam os maiores preços desde 2014, quando a companhia adiou pela primeira vez a publicação de seu balanço e viu seu valor de mercado derreter. Grandes casas mantêm recomendação de compra e já corrigiram para cima o preço-alvo desses papéis, apostando que os ganhos continuem este ano. O Credit Suisse, por exemplo, que já recomendava compra dos papéis, elevou no dia 29 de janeiro o preço-alvo do recibo de ação (ADR) para US$ 15. Já o Goldman Sachs mudou sua recomendação de venda para “neutra” e elevou o preço-alvo da ação ordinária (ON) a R$ 19,30 e da preferencial (PN) a R$ 20. Ontem, as PNs cederam diante da queda do petróleo e do ajuste que atingiu a bolsa nos últimos dias. No fechamento, tiveram baixa de 2,75%, a R$ 19,44. Mesmo assim, sustentam os maiores níveis desde outubro de 2014. A ON cedeu 2,87%, a R$ 20,98, ainda nos maiores patamares desde setembro daquele ano. As ações também já são negociadas, pela primeira vez desde 2012, perto do seu valor patrimonial. Em dois anos, o valor de mercado da companhia cresceu em aproximadamente R$ 200 bilhões. A Petrobras fechou em janeiro acordo que prevê o pagamento de US$ 2,95 bilhões para encerrar a ação coletiva movida contra a companhia nos Estados Unidos, acusada de causar perdas aos investidores por se envolver em corrupção. Além disso, aderiu ao programa de pagamento e parcelamentos, o Refis, relativo à exigência de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre remessas ao exterior no afretamento de embarcações entre 2008 e 2014. Com a adesão, a Petrobras pagará R$ 1,7 bilhão e deve encerrar um imbróglio que soma R$ 28 bilhões. O impacto negativo no quarto trimestre, porém, será de R$ 1,1 bilhão. Esses acertos tiraram de cena duas fontes importantes de risco para os investidores. Por isso, ainda que tenham impacto sobre o resultado da companhia no curto prazo, tornam os papéis mais atrativos. Agora, na visão dos especialistas, a notícia mais aguardada – e que promete ser um claro catalisador – é o acordo em torno do contrato de cessão onerosa. O governo reconheceu que a Petrobras tem pagamentos a receber, embora o montante e a forma do acerto ainda sejam uma dúvida. A definição pode ter efeito direto sobre os preços das ações da empresa. Além da solução das pendências tributárias e jurídicas, a Petrobras se beneficia de um cenário de alta do preço do petróleo no mercado internacional, da política mais dinâmica de reajustes de preços dos combustíveis e das perspectivas de melhora financeira da companhia. Mas o ambiente benigno para o mercado de ações como um todo também beneficia, em muito, o desempenho das ações da petroleira. A Petrobras faz parte do chamado “kit Brasil”, ou seja, investidores estrangeiros que querem capturar a recuperação da economia em geral e aplicar na bolsa local naturalmente migram para papéis mais líquidos e de maior peso no índice. É isso que explica, inclusive, a diferença entre o preço da ação ordinária e a preferencial. Como o investidor estrangeiro, tradicionalmente, busca os papéis que dão direito a voto, as ONs mantêm um “spread” em relação às PNs, ainda que estas tenham preferência de recebimento na distribuição dos dividendos. Um outro fator que dá fôlego para os negócios com Petrobras é o múltiplo atual da empresa. Segundo Gustavo Allevato, analista do Santander, há desconto significativo dela em relação a seus pares do setor de óleo e gás no exterior, como ExxonMobil e Shell. Atualmente, o múltiplo “EV/Ebitda” – ou seja, valor de empresa considerando o montante da dívida, em relação ao Ebitda, uma medida de desempenho operacional – está em cerca de 5,6 vezes. Já o de outras empresas do setor está em 7 vezes. “O papel está esticado por causa da melhora geral que o mercado brasileiro teve, mas não justifica um desconto desse tamanho”, afirma. Dividendos, no entanto, a companhia ainda não deve pagar tão cedo. A estatal não distribui proventos desde 2013 e assim deve permanecer ao menos até o ano que vem, quando será pago o dividendo referente ao balanço deste ano, se houver lucro. Isso porque, apesar de ter trabalhado para sanear o seu balanço, o ganho deste ano deve ser bastante afetado, senão transformado em prejuízo, depois que a estatal realizou os acertos com a Justiça americana e com o Fisco. Para Allevato, o ganho de capital obtido com a venda da fatia da estatal na BR Distribuidora, em dezembro de 2017, deve colaborar com os números finais do balanço do ano, mas não é suficiente para administrar o impacto dos dois pagamentos. “Com esses dois eventos, o lucro será muito pequeno ou nem existir”, afirma. Allevato afirma que confiava, até o começo do ano, na possibilidade dos dividendos saírem neste ano por causa da “excelente gestão” da companhia, ainda que provisões pudessem afetar o balanço – é comum no caso da Petrobras realizar baixas contábeis, quando elas existem, no último trimestre. Depois desses dois grandes eventos, porém, o horizonte se ampliou. “Existe chance de não haver proventos este ano, mas as pessoas não deveriam estar preocupadas, porque a companhia é hoje muito melhor”, afirma um gestor de um grande fundo paulista, que carrega uma posição na ação preferencial da empresa. “Os ajustes devem ser grandes, mas não são recorrentes.” Em novembro de 2014, a Petrobras adiou pela primeira vez a divulgação do balanço do terceiro trimestre, por causa dos impactos causados pela Lava-Jato. A estatal acabou atrasando a publicação das informações uma segunda vez, em dezembro, e só divulgou as demonstrações em janeiro de 2015. A descoberta dos casos de corrupção envolvendo a empresa afetaram sobremaneira as ações. Em 2015, as PNs acumularam perdas de 33,1%, enquanto as ONs cederam 10,6%.

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