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Fonte: Valor Online

Com a disparada do petróleo após acordos de corte na produção pelo mundo, a nova política de preços de combustíveis em paridade internacional e o processo de desalavacangem, a Petrobras caminha para recuperar o posto de companhia mais valiosa do Brasil, ultrapassando a Ambev. A última vez em que a estatal teve valor de mercado superior ao da gigante de bebidas foi em 15 de outubro de 2014. Desde então, não liderou mais o ranking, com o aprofundamento da Operação Lava-Jato. A recuperação da petrolífera se iniciou de maneira mais forte apenas em fevereiro deste ano, quando o valor de mercado era de R$ 67,7 bilhões, o mais baixo desde outubro de 2003. A diferença para a Ambev, que disparou no primeiro lugar, bateu recorde na época: R$ 215 bilhões. Ontem, a Petrobras fechou o dia valendo R$ 223,96 bilhões. A Ambev, R$ 253,21 bilhões. A diferença, então, caiu para R$ 30,2 bilhões em dez meses. Enquanto as ações ordinárias e preferenciais da Petrobras avançaram 114,1% e 132,8% em 2016, respectivamente, as da Ambev caíram 7,8%. A cervejaria sofre com retração do consumo de bebidas, cenário de alto desemprego e queda na renda das famílias. Para Luiz Carvalho, analista do UBS, a valorização da Petrobras estava anunciada. A mudança na gestão fez com que a correlação entre o preço das ações e do petróleo convergisse para o campo positivo em taxas altas históricas. Ou seja, cada vez mais, quando a commodity sobe, também avança a empresa na bolsa. “Hoje, mais do que no passado, desde 2010 [quando a estatal segurou o preço dos combustíveis e acumulou prejuízos com a importação], você tem que olhar para o petróleo. E a expectativa era de alta”, explica. “Em fevereiro, a situação era complicadíssima”, lembra Gustavo Allerato, do Santander. “O petróleo bateu a mínima em muito tempo, o dólar estava valendo R$ 4 e politicamente havia grande instabilidade. Era consenso que a Petrobras precisaria de uma capitalização”, acrescenta. “O cenário foi melhorando e, com a nova diretoria, a empresa começou a executar seu plano e agradar o mercado.” A petrolífera mostrou nos últimos três meses que o prometido por Pedro Parente quando assumiu a presidência, sobre uma política “comercial” de combustíveis, está valendo. Quando o petróleo recuou lá fora, por aqui também houve corte de preços. Após a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e outros países relevantes decidirem produzir menos para diminuir o excesso de oferta mundial, a cotação da commodity disparou e o reajuste aqui foi para cima. Em 2016, o petróleo de tipo Brent, que é a principal referência para a Petrobras, já acumula alta de 19%. Só ontem, os preços do contrato futuro para entrega em março subiram 2,4%, indo a US$ 56,37 o barril, depois que Rússia, México e Omã, por exemplo, também decidiram cortar produção para aliviar o mercado. “O governo tem o intuito de deixar a gasolina com o preço mais baixo possível. Ela ter aumentado o preço foi sem dúvida uma decisão de mercado”, comenta Luana Siegfried, da corretora Raymond James. “O petróleo subindo, os combustíveis vão junto. A empresa consegue repassar [os preços] porque a gasolina está mais barata. Será que ela consegue repassar 30% de uma vez? São questões que temos que pensar de agora em diante.” Além disso, a analista da Raymond James e Carvalho, do UBS, opinam que o objetivo no longo prazo parece ser conseguir tornar o segmento rentável e previsível, para que um ou mais sócios possam dividir o parque de refino com a empresa. Ações da estatal se recuperam no ano, enquanto fabricante de bebidas tem tendência de queda na bolsa Já Allerato, do Santander, acrescenta que entregar os US$ 19,5 bilhões em vendas de ativos entre 2017 e 2018 é essencial. Ele prevê que metade será levantada em cada um dos anos da meta. “É importante também resolver a ação coletiva nos Estados Unidos [‘class action’], mas isso já é um risco menor hoje”, diz. Tanto o analista do banco como o do UBS destacam ainda o firme aumento de interesse do investidor estrangeiro nos papéis, à medida que a estatal foi entregando o que prometia – o que ajuda na disparada. A tendência das ações da Petrobras é para cima, mas no caso da Ambev há perspectiva de baixa. No terceiro trimestre, a companhia surpreendeu o mercado ao reduzir, pela segunda vez no ano, suas projeções para 2016, além de desistir de divulgar metas para o ano que vem. Ronaldo Kasinsky, analista de bebidas do Santander, afirma que a Ambev é muito exposta ao cenário macroeconômico brasileiro. No terceiro trimestre, 52,5% da receita da companhia veio da operação interna. A divisão América Latina Sul, que responde por 21,7% da receita, também sofre o impacto dos problemas econômicos na Argentina. As operações do Canadá e da América Central e Caribe são as mais bem sucedidas, mas têm peso pequeno na receita. “Neste ano, empresas públicas como a Petrobras fizeram mudanças importantes de administração e isso trouxe melhora operacional, com alta na bolsa. A Ambev já é uma empresa com operação otimizada, não tem uma transformação gigante a ser feita como a Petrobras”, diz Kasinsky. Em 2017, o analita crê em melhora por conta da inflação mais baixa e do nível de desemprego estabilizado, mas ainda há dúvidas sobre quando a economia de fato vai crescer. O analista do Credit Suisse, Antonio Gonzalez, comenta em relatório que ainda que não vê ponto de inflexão no lucro da Ambev. O banco projeta, até 2018, crescimento médio anual em dólares de 5% no Ebitda, ainda pouco atrativo em comparação à media do varejo brasileiro, acrescenta. Já Thiago Duarte e Vito Ferreira, do BTG Pactual, consideram que a companhia ainda sofre com a guerra de preços no mercado brasileiro. Questionados sobre qual seria o potencial efeito da situação política atual, agora mais conturbada, sobre a estatal, os analistas disseram não acreditar em interferência na gestão da Petrobras.

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