Rota 2030: Mais vantagens para eficiência energética – Híbridos serão o futuro do Brasil

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O ministro Marcos Pereira do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) disse, no seminário de motores da Ford (onde ocorreu também o lançamento do 1.5L 3C Ti-VCT), que o governo privilegiará a eficiência energética sustentável nos automóveis através de tributação diferenciada do que hoje é praticada, cujo cálculo é feito pelo tamanho do motor e combustível.
Essa mudança de postura do governo federal será incluída no programa Rota 2030, que irá substituir o Inovar-Auto, que vence no dia 31 de dezembro de 2017. O IPI majorado de 30% deve ser excluído da nova política, já que foi condenado pela OMC e coloca o país em uma situação ruim diante de outros mercados.
Em discussão entre governo e setor automotivo, o Rota 2030 terá regras consolidadas para o mercado e a indústria pelos próximos 13 anos, dando assim mais garantia para investidores e tornando assim o Brasil mais competitivo no cenário mundial. Outro ponto abordado foi as negociações com a Argentina, visando igualar a política nos dois lados, o que facilitará as operações automotivas e o comércio do bloco com outros países.
Combustíveis
O governo traçou um panorama energético dos próximos anos através de pesquisas que apontam um crescimento no consumo de etanol anidro e etanol hidratado, em detrimento da gasolina. Em 2014, 66% do mercado de combustíveis no Brasil era representado pela gasolina. Mas, em 2030, apenas 55% desse mercado será do derivado de petróleo, enquanto os dois tipos de etanol terão 45%.
No mesmo ano, o mercado de biodiesel representava apenas 2,6% do mercado, enquanto o restante era preenchido pelo derivado de petróleo. Para 2030, a previsão é que esse percentual seja de 9,4%. No entanto, o consumo no período, aumentará de 65,4 bilhões para 97,4 bilhões de litros.
No panorama brasileiro, as pesquisas do governo indicam – sempre entre 2014 e 2030 – que o mercado de carros flex subirá de 61,7% para 79,5%. Os veículos movidos apenas por gasolina terão sua participação reduzida de 29,8% para 8,6% no período. Cabe lembrar que, em 2005, 78,5% do mercado era dominado por carros a gasolina. A pesquisa aponta para um consumo de 54 bilhões de litros de etanol – puro ou misturado na gasolina – daqui a 13 anos.
Outro dado interessante é o aumento do diesel 6,2% para 7,2%. Isso indica que não há qualquer previsão de que carros diesel sejam liberados no Brasil, como vem sendo discutido no congresso através de projetos de lei. Entre 2005 e 2014, os carros movidos apenas por etanol caíram de 10,9% para 2,3% e hoje em dia estão praticamente extintos. Já os elétricos subirão de 1,7% em 2025 para 4,5% no final da próxima década, apontando um rápido crescimento desse segmento.
Indo bem mais adiante, a projeção é de que as vendas de carros flex, diesel ou gasolina desaparecerão do mercado brasileiro em 2045. A curva do mercado indica que os híbridos dominarão o cenário nacional nesse mesmo ano, tendo 85% do total das vendas em 2030. O restante ficará com os elétricos. A curva de crescimento do primeiro segmento ocorrerá em 2023, enquanto os elétricos começam a subir no ano seguinte.
Entre 2040 e 2050, haverá um decréscimo no consumo de gasolina, etanol hidratado, etanol anidro, gás natural e eletricidade. Isso porque o pico de consumo ocorrerá em 2040, mas o volume de gasolina será menor que em 2030, enquanto o etanol hidratado terá um aumento no percentual, diferente do etanol anidro, aquele que vai misturado na gasolina. O motivo é o próprio decréscimo do consumo de gasolina. Mas, haverá aumento na participação de gás natural e eletricidade após 2040.
Em 2050, a frota de carros flex terá 32% do total, com 7% dos carros apenas movidos por gasolina. Os híbridos representarão 52% e 9% serão de elétricos. Ou seja, o panorama nacional aponta para um futuro de carros híbridos dominando o Brasil na virada do século XXI. Não se sabe quando os carros de combustão interna desaparecerão das ruas do país, mas 39% da frota daqui a 33 anos ainda é um bom indicador de que eles não sumirão da paisagem tão cedo.
Carros elétricos
Os estudos do governo apontam que o impacto do consumo de eletricidade por parte dos carros na matriz energética brasileira – desconsiderando o período até 2030 – onde a participação será nula ou muito baixa – será de 0,4% em 2040 e 1,1% em 2050, quando atingirá 2 GW de média.
O ministro Marcos Pereira disse que para dar conta do consumo de carros elétricos, seria necessário 3,3 GW de geração, pouco mais da metade do potencial do complexo Jupiá-Ilha Solteira, na divisão entre SP e MS., por exemplo. Mas, entre janeiro e setembro de 2016, o parque eólico nacional gerou esse mesmo volume.
Atualmente, 65,2% da geração de energia no país provém de hidrelétricas, 13% de gás natural, 7,4% de biomassa, 6,8% de derivados de petróleo, 3,2% de carvão e derivados, 2,5% nuclear, 2,0% eólica e apenas 0,1% solar. O total chega a 615,9 TWh, sendo que 394,2 TWh vêm de capacidade hídrica.
Como um futuro para o carro elétrico no Brasil, o governo vê o consumidor como prosumidor nos próximos anos, onde as pessoas acabarão por gerar sua própria energia doméstica, tais como painéis solares e/ou eólica, baterias para armazenamento de energia e aproveitamento do excedente do carro elétrico. A ideia é que o prosumidor não só consuma menos da rede pública, mas venda para essa seu excedente, gerando assim créditos de energia.
O ambiente do prosumidor será de uma geração de energia distribuída, baterias e equipamentos inteligentes, além é claro, do carro elétrico, que ajudará não só a suprir a necessidade de locomoção, mas também proverá uma fonte alternativa de energia se necessário. Tais tecnologias já existem hoje em dia, tais como dispositivos comercializados pela Tesla e Nissan, por exemplo. Os carros elétricos mais recentes já podem conectar-se às residências para fornecer toda ou parte da energia em horários de pico de consumo.
A apresentação do ministro Marcos Pereira contou ainda com um interessante gráfico com os tipos de armazenamento de energia nos carros atuais e futuros, tendo diferentes aplicações, tais como tempo de resposta, serviço, eficiência e custo. Entre os tipos apresentados estão supercapacitores, volante de inércia, bateria, ar comprimido, hidrogênio e hidrelétrica reversível.
Com tudo isso, o governo vê a importância do mercado de combustíveis líquidos com tendência à eletrificação como solução de mobilidade urbana, sendo que os biocombustíveis e a eficiência energética serão fundamentais para esse processo, onde o mercado nacional possui um grande potencial de crescimento, dado a baixa taxa de motorização do país.

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