Venda de gasodutos da Petrobras pode sair até o primeiro trimestre de 2017

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O mercado está mais otimista com a perspectiva da Petrobras de se desfazer de ativos na área de transporte de gás natural. A expectativa é que, ainda neste ano ou no início de 2017, a estatal consiga vender as malhas do Sudeste e do Nordeste.
“Sendo conservador, posso dizer que em meados do primeiro trimestre do ano que vem a empresa já tenha negociado a venda desses dois ativos”, avalia o gerente técnico da consultoria Gas Energy, Rivaldo Moreira Neto.
Ele pondera que, apesar das incertezas regulatórias que permeiam as negociações, os gasodutos podem ser vendidos de forma relativamente rápida. “Sem dúvida, há interesse nestes ativos”, acrescenta o analista.
Para o diretor executivo da FTI Consulting, Claudio Graeff, as malhas estratégicas devem ser as primeiras a gerar interesse. “Os gasodutos são linhas importantes para o investimento no setor.”
A petroleira tem como meta atingir US$ 15,1 bilhões em desinvestimentos neste ano. Recentemente, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou em evento que três propostas de compra de participação na BR Distribuidora estão em avaliação.
A estatal negocia ainda com a canadense Brookfield, em caráter exclusivo, a venda da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), que reúne e administra a malha de gasodutos da estatal na região.
As negociações tiveram início em maio e, na semana passada, foram prorrogadas por mais 30 dias. O ativo está avaliado em aproximadamente US$ 5 bilhões.
No entanto, apesar do alto valor estratégico, analistas atentam para as incertezas regulatórias. Isso porque a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) fixa a tarifa de transporte independentemente da distância percorrida e do Estado.
“Esse fator não era um problema até agora, porque a Petrobras detém 95% do transporte de gás natural. Mas com a venda dos ativos, a tarifa fixa pode gerar impactos às empresas”, analisa Graeff.
Pauta de negociações
Para Moreira Neto, a questão tarifária certamente deve ser um fator de entrave nas negociações. “Espera-se que a ANP reduza a tarifa, já que grande parte dos investimentos em gasodutos já foi amortizada. Porém, é difícil saber qual será a decisão da agência”, pontua. Segundo uma fonte ligada à Transpetro, que prefere não ser identificada, as perspectivas acerca do desinvestimento em gasodutos é boa.
“Nos próximos meses, é possível que as malhas do Sudeste e do Nordeste já entrem em fase avançada de negociação.”
No entanto, há uma preocupação de que o movimento possa trazer algum tipo de impacto à exploração e produção de gás. “Como a Petrobras detém hoje toda a operação, executivos estão preocupados com os custos do transporte após a venda dos gasodutos”, acrescenta a fonte.
Segundo o consultor da Gas Energy, apesar do transporte de gás natural ser uma importante etapa do negócio, hoje também é um grande gargalo.
“A Petrobras como operadora não tem interesse no transporte do insumo”, observa. Isso porque, diferentemente da produção de petróleo, que pode trazer ganhos maiores ou menores dependendo da cotação da commodity, as margens no transporte são pequenas no mercado brasileiro.
“O core business da petroleira é a produção de petróleo, que geralmente apresenta como derivado o gás natural, que precisa ser destinado de alguma forma”, explica. “Mas o transporte não é um negócio que gera margens à Petrobras, apenas faz parte de um mix de operações”, complementa. Diante dessa conjuntura, explica Moreira Neto, importantes gasodutos como do Sudeste não receberam investimentos em expansão nos últimos anos.
“Houve um movimento muito grande de incentivo ao uso de gás natural pela indústria em meados dos anos 2000, entretanto, a malha se manteve praticamente a mesma.”
O consultor da Gas Energy descarta um prolongamento demasiado das negociações de venda dos ativos de transporte de gás. “Com a necessidade de caixa da Petrobras, a expectativa é que as malhas Sudeste e Nordeste sejam negociadas rapidamente”, pondera.
Juliana Estigarríbia

Fonte: DCI

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