EIXOS
Seis meses após o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, o mundo vive uma restrição estrutural na capacidade de refino, indica o Goldman Sachs.
- A interrupção nas exportações de derivados no Oriente Médio e na Rússia levou a aumentos nas margens de diesel muito superiores às registradas para o petróleo bruto e reduziu os estoques globais de produtos.
- Em relatório divulgado esta semana, o Goldman Sachs calcula que o volume global processado em refinarias vai recuar em 7 milhões de barris/dia em 2026 na comparação com o ano passado, fruto não apenas das dificuldades de exportação no Oriente Médio, mas também dos ataques à infraestrutura na Rússia, envolvida em uma guerra com a Ucrânia.
Nos últimos dias, uma nova escalada nos ataques entre EUA e Irã voltou a levar o preço do petróleo bruto à casa dos US$ 90 por barril.
- O Brent para novembro encerrou o pregão de segunda-feira (31/8) com alta de 2,71%, a US$ 90,49 por barril. Na manhã de terça (1º), os preços ainda estavam em alta, negociados a US$ 91,7 o barril.
Perdedores e vencedores. Afetado pelas dificuldades de exportação, o Oriente Médio vive uma perda de relevância relativa no suprimento global, sobretudo com as discussões para a cobrança de taxas para a reabertura do Estreito de Ormuz.
Enquanto isso, as exportações de petróleo e derivados dos Estados Unidos estão batendo recordes e o país dobrou a aposta na exploração e produção de petróleo e gás.
Na Ásia, a Índia tem substituído parte do papel da Rússia na exportação de produtos derivados. Já a China dobra a aposta na eletrificação e no uso de fontes renováveis, estratégia similar à da Europa para reduzir a vulnerabilidade à importação de combustíveis fósseis.
- “Nesse terceiro choque do petróleo, provavelmente os maiores benefícios vão para a China, por causa da eletrificação e do uso de veículos elétricos, que está aumentando em todos os lugares”, disse o ex-diretor executivo da Agência Internacional de Energia, Nobuo Tanaka, durante o ONS.
- Enquanto isso, outros países asiáticos contribuem para a destruição na demanda por petróleo e gás, com o retorno ao uso do carvão e medidas para reduzir o consumo, caso da Coreia do Sul e do Japão.
- Relembre: Guerra no Oriente Médio completa um mês e redefine estratégias para óleo, gás e renováveis.
O cenário também está levando a uma busca por alternativas, o que envolve um novo impulso para exploração e abertura de novas fronteiras em regiões como a África e o Ártico, além do Brasil.
No caso do Brasil, a estratégia do governo para lidar com a crise global foi adotar subvenções aos preços dos combustíveis.
- A expectativa era que um eventual arrefecimento do conflito levasse a um desmonte gradual da ajuda, mas agora o governo já admite estender os auxílios novamente, com a desoneração de tributos. (Valor Econômico)
- Além disso, a adoção de um imposto sobre a exportação de óleo bruto virou cenário para uma disputa judicial entre petroleiras e governo, que vê a arrecadação aumentar com a alta global do barril.
- Para a Petrobras, a aposta até o momento foi no aumento do uso das refinarias e na redução das importações, estratégia que será posta à prova nos próximos meses, com o aumento sazonal do consumo de diesel.