Mundo vive redução estrutural no refino, seis meses após fechamento do Estreito de Ormuz

Petróleo fecha em alta com tensões no Oriente Médio e diminuição das reservas da commodity
01/09/2026
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Seis meses após o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, o mundo vive uma restrição estrutural na capacidade de refino, indica o Goldman Sachs. 

  • A interrupção nas exportações de derivados no Oriente Médio e na Rússia levou a aumentos nas margens de diesel muito superiores às registradas para o petróleo bruto e reduziu os estoques globais de produtos. 
  • Em relatório divulgado esta semana, o Goldman Sachs calcula que o volume global processado em refinarias vai recuar em 7 milhões de barris/dia em 2026 na comparação com o ano passado, fruto não apenas das dificuldades de exportação no Oriente Médio, mas também dos ataques à infraestrutura na Rússia, envolvida em uma guerra com a Ucrânia. 

Nos últimos dias, uma nova escalada nos ataques entre EUA e Irã voltou a levar o preço do petróleo bruto à casa dos US$ 90 por barril

  • O Brent para novembro encerrou o pregão de segunda-feira (31/8) com alta de 2,71%, a US$ 90,49 por barril. Na manhã de terça (1º), os preços ainda estavam em alta, negociados a US$ 91,7 o barril.   

Perdedores e vencedores. Afetado pelas dificuldades de exportação, o Oriente Médio vive uma perda de relevância relativa no suprimento global, sobretudo com as discussões para a cobrança de taxas para a reabertura do Estreito de Ormuz

Enquanto isso, as exportações de petróleo e derivados dos Estados Unidos estão batendo recordes e o país dobrou a aposta na exploração e produção de petróleo e gás. 

Na Ásia, a Índia tem substituído parte do papel da Rússia na exportação de produtos derivados. Já a China dobra a aposta na eletrificação e no uso de fontes renováveis, estratégia similar à da Europa para reduzir a vulnerabilidade à importação de combustíveis fósseis. 

O cenário também está levando a uma busca por alternativas, o que envolve um novo impulso para exploração e abertura de novas fronteiras em regiões como a África e o Ártico, além do Brasil. 

No caso do Brasil, a estratégia do governo para lidar com a crise global foi adotar subvenções aos preços dos combustíveis

  • A expectativa era que um eventual arrefecimento do conflito levasse a um desmonte gradual da ajuda, mas agora o governo já admite estender os auxílios novamente, com a desoneração de tributos. (Valor Econômico)
  • Além disso, a adoção de um imposto sobre a exportação de óleo bruto virou cenário para uma disputa judicial entre petroleiras e governo, que vê a arrecadação aumentar com a alta global do barril. 
  • Para a Petrobras, a aposta até o momento foi no aumento do uso das refinarias e na redução das importações, estratégia que será posta à prova nos próximos meses, com o aumento sazonal do consumo de diesel. 

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