Distribuidora avalia novo posicionamento estratégico para longo prazo

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Valor Econômico

A mudança na base de acionistas da BR, com a saída definitiva da Petrobras do capital da companhia, ocorre num momento em que a distribuidora traça um reposicionamento para o longo prazo. A expectativa da empresa é divulgar o novo plano estratégico no início do segundo semestre, mirando as oportunidades de negócios geradas pela transição energética para uma economia de baixo carbono.

A BR é, hoje, uma empresa ainda muito dependente do tradicional segmento de rede de postos e quer aumentar a presença em outras áreas, como a comercialização de energia elétrica, gás natural e etanol. A empresa já tem uma base de 18,5 mil clientes corporativos e quer se valer de sua proximidade no segmento B2B para oferecer novos produtos para além dos derivados de petróleo.

Para liderar esse novo momento, a BR trouxe para a presidência Wilson Ferreira Jr.. O executivo assumiu a companhia em março e traz, na bagagem, décadas de experiência no setor elétrico, segmento onde atuou no comando da CPFL e, mais recentemente, da Eletrobras.

A BR Distribuidora deu seus primeiros passos nesse processo de reposicionamento ao comprar a comercializadora de energia elétrica Targus. A companhia busca novas oportunidades de aquisição de ativos.

No setor de gás, a BR criou uma comercializadora, para atuar na área, e já sinalizou o interesse de entrar no negócio de distribuição de gás natural liquefeito (GNL). No ano passado, a empresa chegou a abrir negociações com a Golar Power – vendida neste ano para a New Fortress Energy – para formação de uma parceria no segmento.

Para sustentar o novo plano estratégico, a companhia aumentou neste ano o seu teto de alavancagem, medida pela relação dívida líquida/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), dos atuais 1,2 vez para até 2,5 vezes. Isso dá à companhia uma capacidade de endividamento adicional de R$ 5,8 bilhões, aumentando seu poder de fogo no mercado.

A BR também planeja crescer no segmento de conveniência. A empresa fechou acordo para formação de uma joint venture com a Lojas Americanas, para acelerar o crescimento no setor.

A transação inclui desembolso pela Lojas Americanas de até R$ 305 milhões – incluindo aporte de até R$ 252 milhões e pagamento de até R$ 53 milhões de parcela variável à BR, dependendo do cumprimento de metas. A distribuidora de combustíveis possui, hoje, cerca de 1,2 mil lojas BR Mania, operadas por franqueados, mas enxerga potencial de instalar mais mil unidades em cinco anos. Pelos termos do acordo, a marca BR Mania será mantida nas lojas dos postos, enquanto as lojas fora de postos de combustíveis utilizarão a marca Local, da Americanas – que conta, hoje, com 55 lojas do tipo, com operação própria.

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