Fonte: Valor Online
A nova queda dos preços globais do petróleo, para os patamares mais baixos desde dezembro de 2018, mantém a pressão por novos reajustes da Petrobras, nas refinarias, nos próximos dias. A estatal já reduziu os preços dos combustíveis por três semanas seguidas. Mesmo assim, duas fontes de pesquisa de mercado consultadas pelo Valor indicam que a companhia tem vendido o diesel com preços acima da referência internacional, o que dá espaço para novas revisões. No caso da gasolina, a paridade anda mais acirrada e as margens mais apertadas.
Enquanto isso, nos postos, os preços começaram a ceder nos últimos dias e atingiram os patamares mais baixos do ano, segundo levantamento preliminar da empresa de pesquisa de mercado Triad Research. Ontem, o litro do diesel S10 era negociado a R$ 3,794, em média, no Brasil, queda de 2,9% ante 31 de janeiro, quando os preços da Petrobras foram reajustados pela última vez. Já a gasolina era comercializada ontem a R$ 4,516, baixa de 3,2% na mesma base de comparação.
Em meio aos riscos de que o surto de coronavírus desacelere o comércio global, o preço do barril do tipo Brent caiu 16%, para US$ 53,96, desde 21 de janeiro – quando os temores sobre uma epidemia global começaram a ganhar corpo no mercado. Em duas semanas, o barril caiu cerca de US$ 10.
Os reajustes da Petrobras, no mesmo período, foram feitos num ritmo menor: queda da ordem de 7% do diesel e de 4,5% da gasolina nas últimas duas semanas. Desde o último reajuste, no dia 30, porém, o preço do petróleo no mercado internacional já acumula uma nova redução de cerca de US$ 4 o barril. A empresa, contudo, não possui uma periodicidade definida para seus reajustes e, ao longo do ano, em casos de picos, optou por esperar pela estabilização do mercado antes de revisar seus valores.
A Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), que representa os principais concorrentes da Petrobras no abastecimento do mercado brasileiro, calcula que a estatal estava praticando preços para o diesel com prêmio de R$ 0,04 e R$ 0,10 o litro, dependendo do ponto de suprimento, até ontem, antes do fechamento do mercado.
O cenário garante uma janela, ainda pequena, para a importação de diesel por empresas concorrentes [da Petrobras], afirmou o presidente da associação, Sérgio Araújo. Mas da mesma forma que ela segurou os reajustes para cima, quando houve a crise no Oriente Médio no início do ano, ela está esperando agora, antes de decidir sobre o repasse da queda do Brent dos últimos dias, completou.
Já no caso da gasolina, a Abicom estima que o preço da Petrobras nas refinarias está em linha com a paridade internacional. A associação considera, em suas contas, as despesas para internalização dos combustíveis até o porto, e acrescenta a esses valores os custos com taxas portuárias e de armazenagem, além das despesas de frete até o ponto de entrega do derivado.
De acordo com um analista de um banco de investimentos que monitora a política comercial da petroleira, mas que prefere manter o anonimato, a Petrobras está vendendo sua gasolina com um prêmio de 2%, revertendo a tendência de preços do ano passado. Em 2019, segundo a mesma fonte, a petroleira negociou o litro do combustível com um desconto médio de 7%. As estimativas do analista consideram o custo de importação até o porto, mas não incorporam os custos de internalização do produto.
Ainda segundo a fonte, o litro do diesel tem sido negociado com um prêmio de 16%, mesmo tendo a estatal reduzido os preços do derivado nas últimas semanas. A empresa manteve um prêmio ao longo do ano passado, mas a margem acentuou neste início de ano.
A Petrobras esclareceu que seus reajustes levam em conta não só os preços dos combustíveis e variações do câmbio, mas também o nível de participação de mercado. Ela também informou que o preço de paridade internacional (PPI) não é um valor absoluto, único e percebido da mesma maneira por todos os agentes e varia de agente para agente. A estatal alegou, ainda, que não houve interrupção nas importações de derivados por agentes eficientes de mercado”.