Crescimento do mercado de etanol ficará limitado se o mundo se prender à COP21

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Fonte: Nova Cana
As demandas ambientais estão prestes a mudar o mundo. A Conferência do Clima de Paris (COP21) fez com que 195 países se comprometessem a metas de redução de emissão de gases com o objetivo de tentar frear o aquecimento global. No Brasil, esse acordo gerou uma boa oportunidade para o setor de etanol, com a perspectiva de uma produção de até 54 bilhões de litros em 2030, quase o dobro da produção atual.
Contudo, ao estender esse prazo, duas organizações internacionais entendem que as medidas que estão sendo tomadas podem não ser suficientes. Em uma ampla pesquisa sobre a demanda e a oferta mundial de energia até 2050, fica evidente a necessidade de mudanças no mercado de combustíveis – o que pode ampliar o espaço do etanol – em um mundo que precisa reduzir as emissões de CO2.
O resultado oferece uma direção estratégica de longo prazo, voltada principalmente para governos e investidores. Essa é uma visão dificilmente encontrada no mercado sucroenergético, que tende a valorizar o curto prazo e, como as usinas brasileiras podem atestar, frequentemente sofre com esse campo de visão limitado.
O trabalho chama a atenção para o fato de que se o mundo for apenas seguir a COP21, as temperaturas devem continuar subindo em níveis preocupantes.
Nesse contexto, a produção de etanol e biodiesel não crescerá de forma significativa pelo mundo. Esta visão do trabalho se alinha de certa maneira com a oferecida pela Petrobras ao questionar o RenovaBio.
A estatal argumentou que, para atender a COP21, no seu mínimo, os biocombustíveis não precisam ganhar mais relevância. Porém, é importante observar que o estudo aqui apresentado faz essa afirmação com o objetivo de instigar mais ambição por parte dos governantes, ao contrário da Petrobras, que nas críticas ao RenovaBio pressionou por uma acomodação diante da ameaça do aquecimento global.
Nas duas visões para o futuro calculadas no relatório, as usinas precisam ficar atentas. As peculiaridades do país – como sua posição de produtor de etanol e a força da frota flex fuel – fazem com que as perspectivas para o setor sucroenergético caminhem em um ritmo próprio, mas que ainda depende da ênfase a ser dada na redução de emissões de gases de efeito estufa.
O relatório, de alcance internacional, foi produzido por duas conceituadas agências e desenvolve diversos dos pontos levantados pela Petrobras em suas considerações críticas ao desenvolvimento dos biocombustíveis. Além disso, o trabalho acaba entrando em áreas na qual o governo agora se debruça por meio de inciativas como RenovaBio e Rota 2030.

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