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Fonte: Valor Online

Começou o desmanche da política ambiental americana. O primeiro ato foi a decisão do presidente Donald Trump de fazer renascer os polêmicos projetos dos oleodutos Keystone XL e Dakota Access, revogando a decisão de Barack Obama. É um sinal claro de que Trump quer entregar o que prometeu – reaproximar a política energética dos Estados Unidos dos combustíveis fósseis. A decisão de Trump tem escopo mais local e envolve a relação comercial entre Estados Unidos e Canadá no caso do Keystone, além de enfurecer os índios sioux de Dakota do Norte, no outro. O ato de Trump tem valor muito mais simbólico do que prático. O petróleo das chamadas tar sands (areais betuminosas) do Canadá é dos mais poluentes. Além disso, o preço da commodity caiu, a oposição ao oleoduto é barulhenta, a empresa TransCanada tem de mostrar novamente interesse na empreitada e é preciso superar processos legais que obstruem o oleoduto Dakota. “Mas é um sinal muito negativo para o mundo”, analisa Eduardo Viola, professor titular de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, a UnB. Os limites de Trump em desmontar o legado ambiental de Obama não são políticos, mas tecnológicos e econômicos. A transição energética rumo às energias renováveis é uma tendência sólida, que se fortaleceu nos últimos 20 anos. Investimentos feitos na transformação de usinas a carvão para gás natural evidentemente não serão desfeitos. Os grandes danos de Trump na política climática estarão na falta de cooperação internacional. Decisões retrógradas como a de ontem terão impacto negativo na Índia, China e Brasil. A China, que busca um novo papel de liderança global, não terá mais à frente a pressão americana para avançar no rumo do baixo carbono. “No Brasil, o governo Temer e sua equipe econômica não têm nenhuma sensibilidade para o zero carbono. Nunca falam uma palavra sobre mudança do clima”, diz Viola. O tema também está longe do radar das elites brasileiras. “Como os EUA são referência para o Brasil, o impacto destas decisões de Trump são muito negativas.” É no retrocesso da política energética que a administração Trump tem apoio mais forte e coeso entre os republicanos, diz Viola, especialista em política externa americana. É ali que Trump pode fazer os maiores estragos ambientais, aproveitando-se da vulnerabilidade legal das ordens executivas de Obama e revertendo as decisões de limitar emissões das usinas térmicas e de carros. Outro ponto importante para os americanos – e que conta até com apoio dos democratas – é que investindo em fósseis como o gás de xisto, Trump sinaliza com a segurança energética do país, menos dependente de importações do Oriente Médio, de Angola e da Venezuela. “Toda a política de Trump é de deregulamentação. Não só em clima e energia”, diz o professor. “Em comparação à administração Trump, Colin Powell e Condoleezza Rice parecem campeões do ativismo climático”, diz Jake Schmidt, diretor do programa internacional da NRDC, uma das maiores ONGs dos EUA, referindo-se aos secretários de Estado de George W. Bush. “Está tentando cortar os progressos dos últimos anos, mas isso não será sem luta. Os eleitores não votaram para que se destrua o ambiente e a proteção à mudança climática.”

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